18 de dezembro de 2012

SERÃO OS AMERICANOS HUMANOS?

Uns meses atrás, por causa de umas pessoínhas de uns afegãos que de manhã foram notícia e à tarde passaram à nota de rodapé, eu perguntei: serão os afegães humanos? Claro que não eram, só foram notícia por causa do americano envolvido na questão. Mas desta vez, por todos os envolvidos serem americanos, e por causa de quatro dias da mesma notícia, eu então pergunto: serão os americanos humanos?

Todos sabemos a resposta, tal e qual os afegãos não são humanos, os americanos também não, e se os primeiros são pessoínhas, os segundos são deuses, e é por isso que as suas vidas são tão valorizadas, tão valorizadas, que se tornam notícias mundiais porque vinte crianças morreram (lamentos pelos pais e familiares), quando ao mesmo tempo estão a morrer pessoínhas (crianças, adultos, famílias inteiras) sírias, palestinas, iraquianas e eteceterianas, mortas pelas guerras americanas (ou com o dedo americano), e nem sequer levantam comoção.

Não estou contente com a morte desses meninos inocentes, se passei essa ideia perdoem-me, odeio matanças, não vejo justificação nenhuma em matanças, ao contrário do Bento XVI que falava de violência não justificada, pois para mim as vidas humanas estão no mesmo plano.


No entanto, por serem deuses, temos de velar e ficar compenetrados pelas vidas recentemente ceifadas nesse pequeno massacre na América (sim, estou a usar termos comparativos de propósito), e não nos lixarmos pelas outras tiradas pelas armas, pelas bombas, pelos soldados e drones americanos, ou pelos soldados do petróleo, e nem devemos ficar compenetrados pelos sírios que se estão a matar, ou irritados pelos abusos israelitas. Isto por quê? Porque pessoínhas não se medem com deuses.

A América é uma terra de deuses, por isso é que pode ser todo às avessas, por isso é que acreditam que as suas emendas publicadas séculos atrás continuam hoje tão boas e com infalibilidade bíblica que não precisam de revisão; por isso é que permitem a jovens de 18 anos irem morrer na guerra, entrar em filmes pornos, poder portar armas de fogo e matar os outros, mas não não lhes permitem beber uma cerveja; por isso é que vão levar para a discussão outra vez  a questão de porte de arma, embora todos eles já saibam o vai resultar daí: nada; por isso é que os Obamas e tal vão chorar lágrimas de crocodilo e depois ficarão à espera de uma nova matança; por isso é que esta matança não tem nada de novo, visto ser nada mais do que um eco.

Para fechar, digo, lamento pelos familiares, mas basta de hipocrisia, as vidas americanas não são mais importantes do que nenhuma outra vida, por isso por quê a tanta hipocrisia mediática em torno do assunto?

17 de novembro de 2012

TENTANDO ENTENDER... A GREVE

Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela, JFK. 

Estamos habituados a ouvir esta frase, e por ser tão boa tornou-se religiosa na boca dos políticos. Mas não é senão uma frase de controlo, uma arma perfeita para calar os reaccionários, similar à: bem-aventurados os pobres de espírito (leia-se estúpidos ou pessoas que não questionam), porque deles é o reino dos céus. Não conheço nenhuma outra frase que apele ao patriotismo e à inacção do povo melhor que esta, talvez apenas aquela fábula de Esopo d’ As Mãos, o Estômago e o Corpo

Entretanto, eu digo não perguntes: o que posso fazer pela pátria?, nem: o que fiz pela pátria?, mas pergunta: o que fez ela por mim? 

Se comummente chamamos a pátria de mãe, então facilmente se aplicará esta comparação: uma boa mãe é aquela pessoa que nos protege, nos educa e orienta, ensinando-nos o certo e o errado, guiando-nos para aprendermos a fazer o próprio caminho, logo uma pátria-mãe que nos leve a fazer a questão que abriu este artigo devia ser uma boa mãe; no entanto, se não damos o direito de nos exigir nada a uma mãe que falhou redondamente na nossa educação e nunca quis saber de nós senão para os próprios benefícios, por que razão não devemos revogar esse direito a uma pátria-mãe que age da mesma forma? Principalmente quando a pátria-mãe, na verdade, é um pai ausentemente presente e chama-se governo.

Se o governo fosse justo e equilibrado, o governo desejado por Platão, formado por homens ilustrados e equânimes, sim, podíamos e devíamos nos perguntar: o que fizemos pela pátria?, mas quando a despeito de todos os nossos esforços e do enorme sacrifício e das cargas que nos põem sobre o lombo, o governo ainda nos empobrece mais e beneficia os seus (vejamos o caso fresco dos subsídios não retirados aos nomeados do governo), que atitude moral tem ele para nos pedir alguma coisa? 

Então, repito, não perguntemos o que fizemos pela pátria (entenda-se governo), mas o que fez por nós ela. Acredito que talvez só assim consigamos perceber a dimensão da GREVE GERAL de há dois dias, que a média tenta, com todos os esforços, demonificar, usando um processo de desacreditação através de comentaristas políticos e sociais, chamando aos grevistas de não-patrióticos, visto que só serviram para piorar a situação já frágil do estado português no panorama internacional. A pergunta que andam a fazer é: qual foi a utilidade da greve? (Utilidade, hein?!!! Qual foi a utilidade do 1º de Maio de 1886?) Foi prejudicar o país, fazendo-o perder muito dinheiro que será preciso para saldar a dívida contraída com a Troika, porque os grevistas, egoístas, não pensaram no país, mas apenas em si. Sim, palavras para provocar ressentimento, mas haverá melhor forma de pensar senão em nós mesmos quando põem em risco a nossa sobrevivência, não só psicológica como física?

Os comentaristas, que ganham bem só de aparecer na televisão (sendo isso a sua fonte de rendimento extra), podem andar a falar por lá, lavando a cabeça da metade da população, levando-a a uma mea culpa idiota e imprópria, jogando-a contra a outra metade que se mantém sã nas suas revindicações, mas nós, os desempregados, os trabalhadores de verdade, os não-políticos e não-governantes, nós, que somos a máquina do país, sabemos que se não fizermos mais greves, os do governo não ficarão com medo de ver o país parar e, portanto, de verem em risco as suas posições; e se isso não acontecer continuarão a não se preocupar connosco, e a descarregar sobre nós os problemas que eles mesmos criaram e ainda por cima a exigirem-nos sacrifícios.

O que fizeram os políticos pela pátria a mais do que nós para ganharem reformas vitalícias, salários soberbos, terem férias subsidiadas que a todos é cortado, ou para não baixarem os próprios salários ou cortar nos benefícios? Por que não fazem eles sacrifícios? Por que sempre que se fala da forma como usam o dinheiro a seu favor e os valores que usam parece-nos pornografia?

Porém, o povo é o pior inimigo de si mesmo, em vez de se manter unido em prol do que lhe beneficia, fragmenta-se em diversas frentes e dilui o essencial com superfluidades. Hoje anda o próprio povo a fala mal da greve de há dois dias e a chamar aos outros de não-patrióticos e sem bom-senso, simples ferramentas dos sindicalistas (que na verdade são também políticos, mas que nos beneficiam ao mesmo tempo que a si mesmos) que só contribuíram para empobrecer mais o país.

Andam os políticos a usar o vandalismo cometido durante a manifestação por umas quantas pessoas para pôr em questão a legitimidade da greve, porém isso é manobra de diversão. Mas, hey, também tem uma coisa: eu não gosto da polícia que protege os governantes, mas se não vamos atirar pedras aos últimos para quê atirá-las à primeira? A greve foi legítima, porque é a única arma que temos para desestabilizar os manda-chuvas e levar-lhes a dar-nos alguma atenção. 

Pode o Cavaco dizer que também foi trabalhar, pode o Passos fingir que fez o mesmo, podem os big bosses da média dizer que foi passada uma imagem negativa do país lá fora, nada boa para o contexto económico actual (errata: para o governo actual), podem dizer tudo o que quiserem, no entanto, o certo é perguntarmos: se eu fiz pela pátria, se trabalhei e descontei, se elegi os meus proxenetas (que não só a mim f…ixam como à própria pátria), se me são impostos sacrifícios por causa das asnices das pessoas que não se sacrificam, será que não devo perguntar: O QUE FEZ A PÁTRIA POR MIM? 

Claro que devo perguntar, principalmente quando está mais que claro que a pátria me viola de todas as maneiras possíveis e inimagináveis, e como farei isso? COM GREVES, CAMARADAS.

28 de setembro de 2012

ADOLF LOOS - ARQUITECTURA DE PRIMEIRA

NOTA INTRODUTÓRIA

Loos foi um dos primeiros arquitectos cujas obras estudei demoradamente, e assim passou a ser o meu arquitecto de eleição, ao lado de Frank Ghery, e por motivos diferentes. Loos define o entendimento, a placidez, a ordem que eu vejo na arquitectura e Ghery define o oposto, o caos e o inexplicável. Gosto de um, e não entendo o outro, no entanto, este texto fala de Loos.

Como posteriormente verão, grande parte disto é um copiar-e-traduzir-e-colar de diversos sites na net, que no fim apresentam-se listados, no entanto a intenção era de fazer uma síntese sobre os trabalho de Loos, e eu, pelo menos, dou-me por satisfeito.

Entretanto para melhor admiração do seu trabalho aconselho que se procure imagens sobre as obras citadas, e ver com quanta maravilha ele trabalhava os interiores.


Contexto histórico



Nos finais do Séc. XIX e início do Séc. XX estava em voga o movimento chamado Art nouveau.
Art nouveau, chamado Arte Nova em Portugal, foi um estilo estético essencialmente de design e arquitectura que também influenciou o mundo das artes plásticas. Era relacionado com o movimento arts & crafts e que teve grande destaque durante a Belle époque. 
Foi também por essa altura que apareceu o protoracionalismo, que designa um momento da história da arquitectura e do desenho que começa em 1910. Supõe-se ser uma continuidade e, por vezes, oposição a Art Nouveau, da qual se diferencia pela sua geometria e sua inserção nas artes aplicadas – o desenho industrial –, na tecnologia da construção e na urbanística.
Parece que o termo foi usado pela primeira vez por Eduardo Pérsico falando do Palácio Stoclet, construído por Hoffmann em Bruxelas, e das características desse edifício que poderiam construir os invariantes do protorracionalismo: ausência de génio, a coerência com a sua época, o abandono das formas clássicas, o emprego de novas técnicas e a luta contra os costumes de uma arte revestida com exuberância ornamental.
Esta nova atitude ante leva a aproveitar as possibilidades dos materiais (sobretudo do betão armado) para conseguir o seu programa de simplificação e de máxima economia; a simplificação das formas se traduz numa luta contra o desperdício e o supérfluo, mas por razões estéticas do que éticos e sociais. 
O protorracionalismo adere à geometria dos produtos mecânicos, estandardizados, modulares, unificados, propensos de serem repetidos, com as suas conseguintes implicações económicas.
E é neste movimento que se destaca a figura de Adolf Loos.



BIOGRAFIA DE ADOLF LOOS

Traços gerais

Adolf Loos, filho do canteiro Adolf Loos Sénior, foi um dos pioneiros da arquitetura moderna. 

É um arquitecto austríaco do início do século XX, ficou na história tanto pelas suas obras como pelos seus escritos – Ornamento e Crime é o mais famoso de todos e foi considerado um escândalo aquando da sua publicação.

Após seus estudos em Dresden, passou três anos nos Estados Unidos, sofrendo influência sobretudo da escola de Chicago.
Foi precursor do Raumplan – o desenvolvimento da planta em diferentes cotas – ou seja distribuição da altura conforme as funções a serem desempenhadas pelo espaço; e pioneiro na negação do papel da intuição artística na procura de um estilo, confiando mais nas formas fundamentais usadas pelo homem desde os seus primórdios, por outras palavras, a funcionalidade em relação às necessidades do homem.
O estilo de Loos é um exemplo de rigor e coerência, tanto no nível teórico com no operativo. A sua obra representa uma demonstração de dois princípios fundamentais: a luta contra dos a forma de decoração e uma aversão social ao desperdício, e a tendência de demonstrar a independência da arquitectura a outras formas de arte figurativo, assinalando as propriedade figurativas inerentes a natureza dos matérias (as veias do mármores, as fibras da madeiras, as cores do estuque).
Loos é também, de certa forma, um dos pioneiros da arquitectura do interior, senão o pioneiro.
Um dos autores que mais o influenciou foi Otto Koloman Wagner.



Detalhada

1870                   Nasce em 10 de Dezembro em Brno, República Checa.
1887-1988          Estuda na Escola de Artes e Ofícios de Reichenberg.
1890-1893          Estuda na Escola Politécnica de Dresde, mas não conseguiu o diploma.
1896                   Estabelece-se em Viena como arquitecto. Colabora com Carl Mayreder.
1897                   Empenha-se a publicar ensaios polémicos sobre questões sociais.
1898                   Publica o ensaio A Cidade Potemkin contra a Arte Nouveau.
1899                  Projecta o Café Museum, chamado Café Nihilismus através da sua técnica de eliminação do supérfluo.
1903               Funda a revista Das Andere, Ein Blatt zur Einführung abendländischer Kultur in Österreich.
1903-1906          Realiza a sua primeira edificação propriamente dita, a Villa Karma.
1908                   Apresenta o seu famoso escrito Ornamento e Crime.
1910                   Começam as obras da polémica Looshaus na Michaelerplatz de Viena.
1911                   Responde aos ataques à Looshaus numa conferência em Sophiensaal.
1912-1914          Funda Bauschule (escola de Arquitectura), onde da aulas.
1920-1922          Continua os estudos na Escola de Arquitectura.
1921-1924          É arquitecto-chefe do Departamento de Urbanismo do Ajuntamento de Viena.
1923                   É Membro de honra do Salão de Outono, onde também expõe.
1924                   Demite-se do seu posto de Arquitecto-Chefe e muda-se para a França, onde vive com a sua mulher entre Paris e a Costa Azul.
1928                   É convidado ao primeiro Congresso Internacional de Arquitectura Moderna (CIAM) na Sarraz.
1930                   A cidade de Brno concede-lhe uma renda vitalícia em forma de saldo anual.
1931                   Publica-se a colecção de seus ensaios.
1931                   Uma doença venérea contraída em 1911 obriga-o a internar-se num hospital de Viena.
1933                   Morre em 23 de Agosto em Viena, Áustria.


CONCEITOS DE LOOS


Precursor da nova objectividade, procurou sempre a solução mais simples para seus projectos e métodos de construção, empregando apenas ocasionalmente motivos ornamentais como elementos articuladores. 

Adolf Loos manifesta uma postura oposta à de Gaudí. A sociedade, declara, não tem necessidade de arquitectura, mas de vivendas. Enquanto faltam vivendas será imoral gastar dinheiro transformando as vivendas em arquitectura. Condena as invenções originais, só os descobrimentos técnicos podem determinar mudanças nas formas de construção; considera a ornamentação um crime que pesa sobre a economia da construção; nega a arquitectura porque se não serve a necessidade prática é imoral, e se serve não é arte.
Acreditava que tudo o que não podia ser justificado pela razão era supérfluo e podia (e devia) ser eliminado. Pois a cultura resultava na renúncia às paixões. Assim a razão determinava a forma do edifício, onde não havia lugar para ornamentações. 
Esta concepção arquitectónica baseada na funcionalidade entrou em conflito aberto com a Secessão de Viena. 
Loos opunha-se ao movimento Art Nouveau, ao trabalho do arquitecto Joseph Hoffmann, mas admirava o trabalho de Louis Sulivan, com quem chegou a trabalhar.
Quando inaugurou seu atelier de arquitectura em Viena, em 1896, aplicou suas ideias estéticas às formas de construção.



CARACTERÍSTICAS DAS OBRAS DE LOOS

A maioria das vivendas de Loos é definida por três conceitos arquitectónicos:
1.   Raumplan ou Planta Espacial – consiste na distribução das habitações com diferentes alturas dependendo das suas funções; este método poupa mais dinheiro e espaço.
2. Teoria de Aterraçamento – baseia-se na possibilidade de aceder ao terraço a partir de cada dormitório; reflecte o símbolo da liberdade pessoal
3. Teoria de Revestimento – funda-se na utilização de materiais para desligar as funções espaciais.
Outras características das suas obras são: a ausência de ornamentos no exterior; fachadas discretas mínimas e quase austeras; interiores opulentos, criadores de atmosfera e realizados com materiais valiosos.
Os materiais que ele mais usa são: mármore (negro, branco, amarelo, vermelho e verde), madeira (mognos, rebites e árvores da cereja), mosaicos dourados, cristal e ladrilho.

Loos esmera-se muito na ornamentação do interior.
Para Loos, o exterior era apenas o invólucro, uma pele que protege o valor interior. Daí o silêncio que as suas obras ofereciam à envolvente. Um silêncio que impossibilita qualquer comunicação com o interior, protegendo-o. A arquitectura de Loos insere-se naquilo que o próprio designou de arquitectura de máscara. Há uma face que encara o exterior e uma que encara o interior, ou seja, há uma máscara e uma estrutura que a suporta. É muito claro que um dos conceitos mais intensamente presentes nesta dicotomia é o limite. É essa fronteira entre interior e exterior que vai permitir a construção do íntimo. Loos: A casa não tem que dizer nada ao exterior; pelo contrário, toda a sua riqueza deve manifestar-se no interior
Loos rejeitava o exterior como algo a ser observado. Não existem paisagens nas suas casas. Para si, uma janela era apenas uma fonte de luz. Frequentemente, Loos colocava um sofá junto de uma janela, de modo a que os ocupantes se posicionassem de costas, o que acontecia inclusivamente nas janelas viradas para outros espaços interiores, como sucede na zona sentada da sala de estar das senhoras na Casa Müller (Praga, 1930). As janelas eram geralmente opacas ou tapadas por cortinas translúcidas. A organização do espaço, e o modo como estava disposto o mobiliário fixo, dificultavam o acesso à janela. Todos os elementos se reuniam para concentrar o olhar e o corpo naquele espaço interior apenas. O olhar nunca era convidado a dirigir-se para o exterior.
Loos orgulhava-se do facto dos habitantes das suas casas não reconhecerem os seus espaços interiores pelas fotografias. Para Loos, era essa impossibilidade de fotografar um espaço que definia o que era ou não um interior.



PROJECTOS

Contámos cento e oitenta e sete projectos oficiais realizados por Adolf Loos durante a sua vida. Entre eles destacamos alguns dos mais conhecidos e polémicos.

1897                   Sastrería Ebenstein, Viena, Áustria
1899                   Café Museum, Viena, Áustria
1903                   Vivenda de Adolf Loos, Viena, Áustria
1903-1906          Vivenda Karma, Clarens, Suiça
1909-1911          Casa em Michaelerplatz (Looshaus), Viena, Áustria
1910                   Casa Steiner, Viena, Áustria
1912                   Projecto de actuação sobre a cidade histórica, Viena, Áustria
1912-1913          Casa Scheu, Viena, Áustria
1913                   Casa Horner, Viena, Áustria 
1919                   Projecto da Coluna de Chicago Tribune, EUA
1923                   Projecto de um edifício municipal, Cidade de México
1927-1928          Casa Moller, Viena, Áustria
1933                   A última casa, Praga, República Checa


Café Museum. 1899. Viena


A distribuição do espaço interior consiste principalmente em paredes de cor verde, móveis de mogno e de cadeiras de madeiras curvadas envernizadas de vermelho. Também usa trilhos de bronze no tecto, pelos quais passam cabos eléctricos. Usa uma secção transversal elíptica (em vez de uma secção de secção transversal circular) para aligeirar o efeito óptico das cadeiras, sem perder estabilidade. O local tem forma de de "L". Não usa ornamentos para a parte externa, que contrasta com o interior.
Trinta anos mais tarde, o biógrafo de Loos, Heinrich Kulka, concluia: "Café Museum é o ponto de partida para todo o projecto do design do interior."
   

Vivenda Karma. 1903-1906. Suiça

A esta construção uma planta foi-lhe adicionada e se ampliou 3,5 m por 3 dos seus lados. Esta vivenda é um exemplo excepcional da sua "teoria do revestimento". Usando o mármore abundante para revestir os pavimentos e paredes, madeira para paredes e para os tectos, assim como lâminas de cobre para o tecto da sala de jantar. O contraste dos materiais é realçado pelo desenho dos diferentes quartos: na superfície oval da entrada o branco, o preto e o vermelho do mármore contrastam com o mosaico dourado do tecto; no banheiro, o mármore granizado em preto e branco combinam com os painéis de madeira, do mogno e do tecto revogados no alvo. Usa a planta espacial ou o Raumplan.
  
Karntner Bar (American Bar). 1908. Viena

A fachada é caracterizada por uma espécie de cristal em forma de prisma sobre três portas de vidro do mesmo tamanho, sobressaindo. Separadas por quatro colunas revestidas de mármore vermelho, estão três portas de vidro iguais, de acabamentos em bronze. Usa a ilusão óptica no interior, através dos espelhos dispostos paralelamente, multiplicando consequentemente a composição do tecto adornado com artesanatos com partes de mármore amarelas e brancas. Usa uma variedade dos materiais, entre eles: mármore, ónix, mogno, bronze, espelhos de cristal e seda para as lâmpadas murais. A barra ocupou 1/3 da planta. O jogo subtil de Kartnner bar movimenta-se entre dois pólos opostos: decepção óptico e certeza técnica. Usando espelhos introduz a dúvida no limite da forma. Consegue esse espectáculo com a técnica que aplica. É a estrutura que sustenta o cenário.


Casa em Michaelerplatz. 1909-1911. Viena

Este edifício é um dos mais famosos de Loos. Estava formado por quatro plantas de habitação na zona superior e por três plantas comerciais na inferior.
Aqui o Raumplan foi usado em grande escala. Foi construída em betão armado e conta em uma distribuição flexível por meio das divisórias.
As três fachadas são divididas em duas porções de acordo com sua decoração: na zona comercial o edifício está revestido de mármore; na zona habitacional, são providas apenas por um estuque liso, distinguindo consequentemente a função pública da privada, usando materiais diferentes.
A ausência da ornamentação do edifício, criou uma grande controvérsia, até houve quem chegasse a comparar esse edifício com um celeiro.
  
Casa Steiner. 1910. Viena

A Casa de Hugo Steiner é um dos mais significativos e reconhecidos trabalhos de Loos. Devido à severa e avançada modernidade na forma, foi adoptado na história da arquitectura contemporânea como exemplo da fase de transição e da antecipação da linguagem Racionalista.
Na medida que as autoridades apenas davam permissão para uma casa de um andar com um telhado de mansarda, e os clientes queriam um programa espacial compreensível o resultado foi esta invulgar peça de arquitectura.
Loos arquitectou um telhado de metal que ia do rés-do-chão ao tecto, na frente da casa, mas que por fim foi substituído por um telhado de madeira e cimento. No entanto foi possível o desenvolvimento do jardim na frente dos três andares.
O desenho da fachada que dava à rua seguia as prescrições municipais que autorizavam somente determinada altura aos edifício no distrito de Hietzing. Então, Loos usou um truque que consistiu em construir a um telhado em forma de um quarto de um cilindro, unindo a fachada principal da planta com a fachada de três metros de alturas que dava ao jardim. A fachada tem o estuque liso e uma aparência excêntrica pela distribuição irregular das janelas.
À primeira vista tem-se a impressão de que a fachada é simétrica e a distribuição da planta é assimétrica. No interior usou os tapetes orientais, móveis ingleses, vigas à vista de cor castanho-escuro e um artesanato em madeira de carvalho.   
Em resumo, o carácter de ruptura e inovação deste trabalho deriva de uma analítica e selectiva reflexão histórica, e não do desejo de negação da história no qual a Bauhaus iria construir as suas teorias após a guerra, e ainda menos da aderência ao funcionalismo.

Coluna do Chicago Tribune. 1922. Projecto não realizado

Este projecto (um arranha-céu de mais de 400 metros) é uma proposta a um concurso internacional de arquitectura. Consistia em uma coluna grega, construída com granito preto, liso e lustrado. Quem ganhou o concurso foi um projecto de um arranha-céu neogótico  que reflectia mais o gosto dos EUA na altura.

Casa Josephine Baker. 1927. França.
O revestimento da casa foi feito em placas de mármore horizontais preto e branco dirigido conscientemente ao envolvente. Loos considera esta casa como um de seus melhores trabalhos, por causa das suas sequências das escadas, de seus múltiplos efeitos visuais, da piscina privada interior e da sua janela zenitais.

Casa Moller (1927-1928). Starfriedgasse 19 Viena

Esta casa tem a fachada principal simétrica. Opõe-se totalmente à fachada do jardim, que é provada, aterraçada, quer dizer projectada a criar. Usa o para criar as paredes exteriores. Na planta superior, da entrada ao vestíbulo, chama muito à atenção porque apresenta cinco mudanças de sentido de 90º, pois dali se comunica com diversos compartimentos e com jardim aqui. Empregou diferentes tipos de madeira para revestir a parede e os pavimentos.





Obra de eleição

Casa Muller 1928-1930. Stresovice, Praga

Esta vivenda foi elogiada pela sua fachada cúbica. A criação do dos seus espaços não foi compreendida e assim qualificada como não moderna.
Loos separou a zona reservada à família da do pessoal, usa o Raumplan, com o qual jogou aqui de maneira inovadora. Usou materiais tais como pedras na parte exterior da entrada, azulejos verdes no vestíbulo, mármore e mogno.
Adolf Loos tem uma forma aparentemente simplicista de optimizar o espaço,  entretanto as soluções que apresenta revelam uma cuidadosa observação, que se revela no modo como as diferentes divisões se articulam, através de uma comunicação, podemos dizer assim, sóbria. Observemos as plantas abaixo.
A planta da Casa Muller tem uma particularidade interessante de os espaços serem mais progressivamente mais fechados a partir de um certo compartimento.
Esse fechamento não se dá apenas em termo da superfície, mas também do volume, espaços mais amplos têm maior pé direito.
Através da sua arquitectura, Adolf Loos faz, digamos assim, as delícias do engenheiro, pois as estruturas não são complicadas e são bem racionalizadas. Ele costuma estudar as suas obras através de plantas e diversos cortes, para assim aplicar melhor a sua toria de raumplam.
  


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há quem considere que Adolf Loos não foi em toda a medida um funcionalista, mas um tradicionalista que olhou para o futuro. De qualquer modo ele é um dos mais importantes arquitectos do Primeiro Modernsimo.
Ele foi também o mais mal interpretado e deturpado pelos fanáticos do Funcionalismo. Nunca condenou o ornamento em si mas sim a sua utilização epidérmica e desligada da realidade funcional e construtiva dos edifícios - e isto porque achava que uma obra arquitectónica não se esgotava na forma e que, consequentemente, a sua "morte" viesse com o virar da moda.
A obra de Loos teve uma enorme repercussão noutras figuras como Gropius e Le Corbusier.



BIBLIOGRAFIA
·         www.anneke.net/Loos
·         pt.wikipedia.org/wiki/Adolf_Loos
·         mega.ist.utl.pt/~irri/bio.html
·         architect.architecture.sk/adolf-loos-architect/adolf-loos-architect.php
·         art.iit.edu/loos_exhibit/LoosExhibit.jpg
·         blog.uncovering.org/archives/2006/08/kiss.html

23 de setembro de 2012

AINDA ARDE A MINHA CHAMA

Reconheço, foi tão intenso no começo,
Nunca vivi coisa igual, eu confesso,
Ainda hoje quando me lembro, embeveço,
E quando penso que é o fim, enlouqueço.

Devo partir mas com o vau eu não atino,
Tento, mas não consigo, pareço um menino,
Sei que é hora, fizeste soar a sino,
Mas não quero ir, quero mudar o destino.

Não devo ficar preso a ti como um inválido,
Não devo deixar o meu mundo esquálido,
Não devo ter o meu alento assim tão pálido,
Devo buscar uma nova vida de modo cálido.

Pois porque eu morro não vais negar viver,
Não vais deixar de buscar lazer e prazer,
Já não queres mais saber, nem me queres ver,
Por isso devo viver a sério e devo te esquecer.

Eu sei, tudo vai mudar se eu encontrar alguém,
Mas como sou louco por ti não me dou a ninguém,
Quero tanto, mas não consigo, tu és o meu bem,
És tu o infinito sonho que a minha alma tem.

Aqui estou, tão frustrado, fazendo um alarde,
Porque tão vivo no meu peito a chama arde,
Alimento em ti esperanças, sou covarde...
Mas se me queres, volta, antes que seja tarde.

22 de setembro de 2012

JUVENTUDE PERDIDA - A SUBMISSÃO DOENTIA E OS NOVOS DEUSES


Como referi no primeiro artigo com o mesmo título, estas reflexões começaram por causa de um único incidente. Já falei da histeria colectiva, agora vou falar sobre a submissão doentia e os novos deuses, a nova religião mundial.



A SUBMISSÃO DOENTIA E OS NOVOS DEUSES

Sempre houve o culto de personalidade, desde os sumérios que cantavam Gilgamês, aos egípcios cujos faraós se manifestavam como descendentes ou incarnação de deuses, o que levou os primeiros legisladores israelitas a atribuírem a Javé o mandamento: não faças para ti imagem de nada que existe sobre a terra e os céus, ou acima ou abaixo, pois sou Javé, e sou o único. 

Sim, foram sábios e equilibrados esses legisladores, porém tiveram o seu Sansão, o seu David e alguns outros poderosos, mas como os mandamentos proibiram claramente a adoração da pessoas, então para contornar, começaram a chamar-lhes de “ungidos” e a dirigir-lhes uma adoração velada. Os romanos imitaram os egípcios, os césares diziam-se deuses ou incarnações, e quando os católicos chegaram também não ficaram atrás e com os seus papas e bispos substituíram as dividandes antigas começando a nomear santos atrás de santos e a deidificar os papas atribuindo-lhes a tríplice coroa que lhes permitia mandar na terra e até mesmo corrigir e castigar os anjos se esses alguma vez errassem. Aliás, mesmo a estória de Cristo teve os seus momentos de contradição, vezes em que ele evitava a adoração pessoal, outras em que a enaltecia. Tudo isto para dizer que o culto da personalidade é tão antigo quanto a história do homem, no entanto aqui quero falar são dos flautistas mágicos, ou melhor, dos ratos que os seguem.

É doentia a forma como se cultua hoje as pessoas e o facto de que ser célebre não significa fazer nada de significante, mas apenas ter um vídeo visto 1.000.000 de vezes no youtube, ou ter 10.000 amigos no facebook, ou 1000 seguidores no twitter, mesmo que tudo o que faças é postar sobre as cinco melhores maneiras de peidar num elevador lotado. O padrão da exigência tem baixado muito e baixa mais a cada dia que passa. Criamos deuses a toda hora e perdemos a identidade por eles, e não estou a falar apenas daqueles que se vestem como o Marilyn Manson ou outro qualquer, mas também de muitos ditos intelectuais que não fazem nada senão repetir pensamentos dos seus ídolos, revelando um vazio de personalidade tal e qual o imitadores antes referidos.

As pessoas são cultuadas como se fossem deuses, e quando famosas são citadas como se fossem donos da verdade, sem uma análise crítica; por exemplo, nada que o Álvaro Ribeiro diga, por mais sentido que faça, tem o mesmo valor que as palavras de Johnny Depp, porque… mas quem raio é o Álvaro?... Aliás, note-se que mesmo eu escrevi o Álvaro precedido do artigo “o” e Johnny Depp sem artigo. Porém se todos sabem quem é o último, poucos sabem que o primeiro é um filósofo, com supostamente mais exercício de pensamento crítico e analítico na bagagem.

E mais, hoje, com a Internet, acontece atribuir-se frases a pessoas que nunca as disseram, ou inventar novos autores para citações antigas; o exemplo mais imediato que tenho agora é o tal: com grandes poderes vem grandes responsabilidades, que teria sido dito por Tio Ben, pelo lápis de Stan Lee, mas que na verdade pertence a… Ou então essa: o melhor é conhecer as pessoas certas do que certas pessoas, atribuídas a Bob Marley, o que não me parece ser verdade, visto que esta frase não funcionaria em inglês (até onde sei, convém ressalvar). Estas são umas das muitas frases constantemente citadas no novo antro da filosofia e lições de vida: o facebook (mas isso fica para para outra altura).

Quando há gentes a dormir durante dois dias ou mais na rua apenas para guardarem a fila para comprar o bilhete de um concerto de qualquer ou de uma estreia de um filme, percebe-se quão minada se encontra a nossa sociedade. E o pior mesmo são os que o fazem pela estreia de um filme, considerando que este fica semanas no cinema e o concerto acontece supostamente uma vez. No entanto, ainda pior são os groupies que vão a todos os concertos e sacrificam-se para adquirir os bilhetes. Porém o maior no entanto vai para os fãs de personagens fictícias que são capazes de fazer tudo por eles.

No entanto, como o gatilho deste artigo foi o jovem, já antes aqui referido, que abriu a boca para receber o líquido que o seu ídolo cuspia, quero voltar a falar dessa relação fã-ídolo. 


Já várias vezes vimos milhões de pessoas a acenderem velas para orar pelo seu ídolo (recorrem a um deus para salvar outro deus), o caso lisboeta mais recente foi o de Angélico. Imagino que muitos daqueles que estavam na rua podiam ter familiares doentes que negligenciaram para andar a velar por ele. E por que era ele muito importante? Para a sua família (atrasados pêsames) eu sei que realmente era, pois conheciam-no e lidavam com ele, mas para os tanto idiotas que estavam na rua a velar será que realmente eram das más músicas dele que gostavam ou era apenas porque tinham de gostar de uma cara bonita que muitas gentes gostavam? Quero com isso dizer que muitos fãs são fãs e veneram outro porque esse é venerado e não porque conhecem mesmo a pessoa. É praticamente uma religião, tal e qual muitos católicos que têm dez bíblias numa prateleira e nunca abriram uma (eu sei como é, tenho seis irmãos que estavam sempre na igreja, mas eu era o único que lia a bíblia)... ou seja são católicos porque outros são, e não propriamente porque se sentem tocados pela doutrina (mas esse é um outro tema do qual vou falar mais tarde personalizadamente).

E a submissão aos novos deuses estende-se a vários patamares, por exemplo, atitudes imorais que não toleraríamos aos outros são permitido aos famosos, porque... oras, porque eles não são como nós. Por exemplo, Michael Jackson não era pedófilo, só queriam denegrir a sua imagem... Hm, mas se fomos pacientes no caso Michael para esperarmos por um julgamento, nos casos corriqueiros estamos de tocha em punho prontos para linchar; ainda falando do Michael, ele não era racista, e só virou branco e teve só filhos brancos porque tinha uma doença de pele, e não porque tinha vergonha da sua cor... Não, procuramos desculpas porque ele é famoso. Gosto muito das músicas da Amy Winehouse (ela vai ganhar um post aqui), mas isso não lhe desculpa a sua conduta auto-destruidora.

Estamos tão ocupados a celebrar ídolos que não olhamos para as pessoas ao nosso lado, e na maior parte das vezes, somos fãs porque invejamos a pessoa e queríamos estar na pele dele, assim como também a denegrimos pelas mesmas razões. E para seres jovem de verdade, tens de ter um poster no quarto de um ídolo qualquer e orar por ele e desejar ser ele, mesmo, repito, mesmo que não possua nenhuma obra de mérito.

Não parece muito grave quando dizem: oh, é a juventude, é a altura ideal para cometer os erros e fazer estupidezes deste género; pois sim, é a juventude, significando que os jovens são uns imberbes e irresponsáveis e que ser jovem é fazer asneiras e ser asno, sem que disso possa vir recriminações, ou seja, são uns seres a quem se desculpa a ausência do cérebro. O problema é que como todos queremos manter o espírito jovem, perpetuamos essa acefalomania até à velhice e nunca deixamos de ser idiotas. Até parece que nunca ouviram falar que: de pequenino se torce o pepino. Distraídos a cultuar humanos nem damos conta como nos perdemos e a repetir os mesmos erros que os nossos antepassados fizeram desde tempos remotos. Será que ninguém percebe a relação entre fã e fanatismo? 

18 de setembro de 2012

VINGADORES, OS, 2012 (The Avengers)

Existe o cinema arte e existe o cinema entretenimento e o segundo abusa mais da técnica, muita forma pouco conteúdo, e não se preocupa muito com a dimensionalidade das personagens ou enredo rebuscado. E Os Vingadores faz parte do segundo grupo. Seguindo à risca a linearidade de uma banda desenhada infantil, apresentando uma realidade a preto e branco (o que não admira e nem deve, considerando que o filme é sobre um punhado de heróis da Marvel), onde os bons batem nos maus e saem todos incólumes no final.

Sim, Os Vingadores é isso, básico até mais não, dois grupos e um motivo para andarem à pancada com o outro. No entanto, apesar disso, não se pode dizer que aos personagens principais falta a dimensionalidade visto nos terem sido apresentados em vários filmes anteriores, por isso neste apenas se limitaram a seguir a trilha.

Entretanto, Os Vingadores é o melhor filme da Marvel feito pela Marvel (ainda continuo a preferir os X-Men: O Início) extremamente superior aos insossos Capitão América e Thor e o segundo Hulk (ainda continuo a achar o de Ang Lee muito bom, apenas maltratado pelos fãs extremistas que querem os filmes como os livros). Apesar de ter seis heróis a disputar os 120 minutos do filme, não contando com o Nick Fury (que foi emprestado do universo Ultimate e não da Terra 616), o ecrã foi muito bem dividido e muito equilibrado, e os minutos finais de acção demonstraram mesmo como isso foi bem pensado, o que se vê nas sequências interruptas como ela foi mostrada (tirando os momentos que cortavam para pôr Fury na tela); por exemplo, seguia-se o Homem-de-Ferro que levava a acção à Viúva Negra, que a entregava ao Hulk ou outro qualquer, e assim por fora. Foi um quadro gigantesco e soberbo, meticulosamente bem trabalhado.

trailer

Momentos cómicos também houveram, sendo Hulk o responsável pelos melhores, e ainda até tentaram iscar-nos com um momento meloso de drama romântico entre dois heróis, os não super, que no entanto não resultou.

Não tenho nada de pseudo-sócio-filosófico para analisar sobre o filme, porque não tem ensinamento nenhum e nem a pretensão disso, é americanamente panfletária como todos os filmes americanos, e não faz nada senão respirar acção e entretenimento. Se gostas de filmes com cérebro ou algum cérebro, passa longe, ou veja X-men: O Ínicio, se queres só pancadaria, Os Vingadores fazem-te as honras.